Bueno, novamente isso aqui. A princípio começou como uma retrospectiva bacana sobre o ano literário; mas, agora, sinto que estou ficando meio cansado de tudo. Que pena a vida ser assim às vezes. Ainda gosto muito de ler, mas a escrita tem me trazido frustrações. Talvez no futuro eu fale apenas das leituras. Enfim, bora lá.
1. Livros resenhados
Esse ano acho que até li bem. Na verdade, acho que o que me ajudou bastante foi que não li apenas ficção. Foi revigorante ler outro tipo de literatura. Além disso, me dei o direito de não terminar leituras ou de simplesmente não escrever longas resenhas. Talvez parte do meu problema seja esse: estou perdendo o gosto de fazer só por fazer. Quem sabe o segredo não esteja justamente na simplicidade das coisas e eu que estou complicando tudo?
| Jan | 1) Shibumi; 2) Max and the multiverse; 3) Mountain of lies |
| Fev | 4) The War of the Worlds |
| Mar | —— |
| Abr | 5, 6 e 7) Trilogia Mistborn; 8) O cortiço; x¹) Agent Zero (não concluída); 9) Contos amargos; x²) Little Women (não concluída) |
| Mai | 10) Mind Machines; 11) O clube de xadrez da morte |
| Jun | —— |
| Jul | 12) Os demônios; 13) O vale dos mortos; 14) (In)fungível |
| Ago | 15) Nem sinal de asas; 16) Corredor do tempo; 17) O último adeus de Sherlock Holmes; 18) Se o medo tivesse um som; 19) Entre lembrar e esquecer; 20) Breakers |
| Set | 21-26) Leituras de não-ficção; além dessas posso incluir 27-32) Leituras sobre aconselhamento bíblico |
| Out- | 33) Meltdown; 34) Livro sem nome |
| Nov | 35) Alice no País das Maravilhas; 36) Knifepoint |
| Dez | 37) A vida breve dos cães; 38) Filhos de Vênus |
Olha, agora que parei pra ver... rapaz... nada mal, né?! Trinta e oito livros num ano! Parece até que sou jovem e não tenho nada pra fazer da vida. Mas antes fosse! Olhando pra trás (é pra isso que retrospectivas servem, não é?) percebo que as leituras de não-ficção fizeram uma diferença bem grande. Meu cérebro estava cansado e eu nem sabia.
Tanto é que vou eleger uma obra de não-ficção como a melhor do ano. Tem várias aí na lista que merecem no mínimo uma menção honrosa, como a trilogia Mistborn, a triologia Breakers e as obras de literatura brasileira contemporânea como Nem sinal de asas e Entre lembrar e esquecer. Aliás! Esse foi o ano em que mais li literatura brasileira contemporânea! Para a minha surpresa e alívio, existe muita coisa boa por aí — e muita coisa ruim.
A melhor leitura desse ano foi sem dúvidas Aconselhamento cristão de Gary R. Collins (nem está resenhado no blog, só fiz um fichamento pessoal de estudo dele). A minha vida com certeza vai ter um antes e depois por causa dessa obra. Traz ferramentas incríveis para ajudar outras pessoas e, algo que eu nem esperava: ajudar a mim mesmo.
A pior do ano também tem vários concorrentes, dessa vez vou deixar empatadas as obras que claramente eram apenas "literatura de entretenimento". Me refiro àquelas em que o autor só segue uma fórmula de roteiro e escreve qualquer coisa. Pense numas leituras ruins: Max and the multiverse, Agent Zero, Mind machines e Livro sem nome (esse último é o contrário: tenta ser inteligentão e não faz
Finalizando com a quantidade de livros, meio que já comentei sobre isso. Olha lá, meu povo. Nem eu esperava tanto desse ano. Vai ver, é esse o segredo, aprender a gerenciar as expectativas. 240 livros nos últimos 8 anos. Acho que seria legal ter a meta de 300 livros lidos em 10 anos, mas como ano que vem vou viajar, melhor não contar com isso.
2018: 27 livros
2019: 37 livros
2020: 40 livros
2021: 21 livros
2022: 35 livros
2023: 20 livros2024: 23 livros2025: 38 livros
2. Concursos literários e produções
Toda vez é a mesma coisa: eu decido que não vou enviar nenhum texto para concursos literários esse ano... aí vou lá e envio. Em minha defesa, a maioria dos contos foi submetida ano passado. Esse ano mesmo eu só submeti dois, e isso porque a jornalista Vanessa Brandão (uma das produtoras da Mostra Picuá de Cinema e Literatura) me enviou o edital no WhatsApp e me convidou a participar.
Engraçado como é a vida, né? O único conto que submeti esse ano ficou em primeiro lugar na Mostra Picuá. Essa mostra só teve duas edições até agora. Nas duas fiquei em primeiro, com um conto que escrevi sem pretensão nenhuma, só pra brincar. A foto que está no começo desse post mostra os dois troféus.
Meus textos em inglês que foram publicados esse ano estão disponíveis aqui. E os textos selecionados na Mostra Picuá estão disponíveis aqui.
Bom, do meu ponto de vista, meu aproveitamento esse ano foi de 100%, porque, de fato, só escrevi mesmo um conto e um poema e eles foram selecionados e publicados. Os outros são a rebarba do ano passado. Me impressiona como os números falam por si:
2018: 18 textos enviados, 4 aprovados → 22% de aproveitamento
2019: 17 textos enviados, 4 aprovados → 23% de aproveitamento
2020: 18 textos enviados, 6 aprovados → 33% de aproveitamento
2021: 35 textos enviados, 6 aprovados → 17% de aproveitamento
2022: 46 textos enviados, 7 aprovados → 15% de aproveitamento
2023: 10 textos enviados, 4 aprovados → 40% de aproveitamento2024: 25 textos enviados, 1 aprovado → 4% de aproveitamento2025: 8 textos enviados, 4 aprovados → 50% de aproveitamento
Olha quem diria, hein? O melhor aproveitamento de toda a série histórica dessas retrospectivas. E ainda ganhei um considerável valor em dinheiro por ter escrito um texto de uma página e meia. Caramba... nada mal mesmo. Olha aí o gráfico mais besta de todos os tempos:
3. "Carreira" literária
Olhando pra trás, eu já sei o que me matou esse ano. É que no começo do ano eu resolvi que ia escrever um outro livro. E dessa vez eu fiz o caminho das pedras que todos os autores dizem ser necessário: planejar o roteiro. Meus amigos, se tem uma coisa que eu fiz foi planejar o roteiro, viu? Cada cena, cada variação, cada possível simbolismo, desenvolvimento de personagens, encadeamento de trama... o que vocês imaginarem, eu fiz. Ficou esse monstro aí:
Mas na hora de escrever, foi um desastre! O texto ficou totalmente rígido, não senti familiaridade com a personagem, tudo me pareceu um grande desperdício de energia e tempo. Em determinado momento, até achei interessante a experiência de planejar o livro; mas na hora de escrever, senti que estava escrevendo uma história chata e forçada, muito diferente do que eu gosto de fazer.
Isso daí terminou de destruir a minha esperança. Eu já vinha cansado do ano anterior, então o fracasso desse planejamento terminou de jogar um balde de água fria onde só tinha uns poucos carvões. Mas isso aconteceu no começo do ano. Hoje confesso que estou um pouquinho mais animado pra voltar a escrever.
Momento terapia:
É que acho que descobri qual foi meu grande problema. É que estou achando que meus textos valem alguma coisa. É que estou achando que meus textos são tão bons, tão valiosos para serem lidos, que não quero escrever qualquer coisa e também não quero escrever para não vê-los publicados, alcançando o grande público. Parte do erro é também achar que uma vez que eu tenha uma ideia interessante, essa ideia precisa ser explorada, trabalhada e zelada. Acho que há um pressuposto, um medo embutido, de que se eu descartar uma boa ideia, nunca mais terei outra igual.
Então qual o plano pro próximo ano? Tentar escrever, é isso. Enquanto em 2025 eu simplesmente desisti, em 2026 preciso me dar o direito de errar, de escrever algo ruim, de aprender qual o meu processo. E isso só se consegue tentando.
2026 tem ainda mais um ponto a se considerar: minha esposa e eu vamos passar esse próximo ano viajando pelo Brasil! Vamos tentar escolher um novo lugar para morar, numa aventura bem louca que estamos planejando desde o fim de 2024. Caso alguém tenha interesse, estou registrando a viagem nesse blog aqui: Peregrinos da terra.
#O resumo da ópera
- Livros lidos: 38
- Textos escritos: 2
- Textos enviados pra concursos literários: 8
- Textos aprovados: 4
No fim do ano passado, tudo que eu queria era ter escrito um bom livro em 2025. Não foi o que aconteceu. Aliás, nem o livro que foi aceito pra publicar pela UFRR saiu (a editora até me contatou, mas só porque eu passei o ano inteiro insistindo — e contataram só pra dizer que não vai sair esse ano, quem sabe no começo do próximo).
Para esse próximo ano, acho que tenho que aprender a gerenciar minhas expectativas e, principalmente, parar de achar que o que eu escrevo é tão valioso que não possa se perder. O erro é achar que algo é meu, quando, na verdade, tudo vem de Deus. Talvez se eu tivesse aprendido essa lição de humildade no começo do ano, não teria sofrido tanto. Que Deus me ajude a crescer, não a retroceder!


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