The sky above the port was the color of television, tuned to a dead channel. (p. 8)
Li Neuromancer na adolescência, entendi muito pouco ou quase nada e, agora, depois de adulto, resolvi ler de novo pra ver se conseguia absorver um pouco mais. Se for pra ser honesto, a verdade é que não foi tão melhor quanto eu esperava, o livro é meio confuso mesmo. À resenha.
Gibson narra a história de Case, um hacker que perdeu sua habilidade de entrar na matrix, e agora foi contratado por Armitage, um servo da inteligência artificial Wintermute. A IA vai recrutar também Molly, uma femme fatale capaz de assassinar inimigos, e Riviera, um humano ciberneticamente modificado capaz de projetar hologramas. Juntos, eles vão tentar fazer o que foram contratados para fazer: libertar a IA e torná-la um ser autônomo e independente.
O livro é o precursor de todo o movimento cyberpunk. Vários dos conceitos que hoje estão na moda como IA, o conceito de matrix, mundo digital, etc., nada disso era tão fluente na década de 1980, quando o livro foi escrito. Esse é claramente um daqueles casos em que o autor de ficção científica não sabia, mas na verdade estava prevendo o futuro.
A narrativa não é sem problemas. Eu entendo a ideia de Gibson de não descrever demais as coisas, deixando pro leitor descobrir. Mas ele exagera. Por exemplo, se eu digo que "Case usa o Hitachi enquanto flipa pro simstim da Molly, que acabou de pegar seu fletcher."... que diabos isso significa?
O autor não explica, e aí fica pro leitor entender que Hitachi é tipo um computador portátil, que o simstim é um chip que permite a um hacker se conectar à mente de outra pessoa e ver pelos olhos dela, que fletcher é um tipo de pistola. Na verdade, duvido muito que o leitor consiga discernir sozinho sem fazer alguma consulta online pra ajudar a clarificar. É tudo muito confuso, dificulta demais a leitura. A gente perde a imersão várias vezes pelo simples fato de não saber o que está acontecendo.
Enfim, é uma leitura boa, cheia de conceitos que premeditaram muita coisa do futuro, e coisas que ainda não sabemos se um dia vão acontecer — como plugar a própria consciência na matrix da internet.
Porém, não é um livro que eu pretenda ler de novo. Li-o em formato de ebook (bem apropriado para o tema), mas se tivesse sido impresso, eu teria doado depois de terminar. É aquela leitura que vale a pena uma vez, pra conhecer o gênero e se deixar imergir naquele universo; mas depois acaba, e é só.
