Nabokov certamente diria que eu sou um moralista e, portanto, esse livro não é pra mim. Ele diz, inclusive, que, ao contrário do personagem principal do livro, o autor não se importa em nada com o que a sociedade vai dizer ou pensar (yeah, right). Enfim, decidi ler esse livro porque estava na lista de "100 livros pra ler antes de morrer" da BBC. Não sei se fiz a melhor das escolhas.
Esta não será uma resenha longa. Lolita conta a história de um pedófilo que escraviza sexualmente uma menor de idade por dois anos, até ela conseguir fugir dele. A narrativa é do ponto de vista do pedófilo, da sua manipulação e até mesmo algumas cenas desnecessariamente sugestivas do ponto de vista erótico. A história incomoda demais, eu digo que só valeu a leitura porque é possível ver como um pedófilo pensa e age, como trama pra conseguir dominar suas presas.
Não há o que se falar quanto à qualidade da escrita de Nabokov, o cara realmente sabe o que está fazendo. E ainda trazendo à tona um tema tão sensível, não deve ter sido à toa que essa obra marcou tantos grandes escritores na época em que foi lançada — incluindo Érico Veríssimo, segundo ele mesmo.
Acho que o que mais me assustou, foi ver a crítica elogiando o livro e, em muitos casos, apontando a própria Lolita como causadora de tudo isso, já que a princípio ela teria seduzido o pedófilo. Nossa, é ruim até escrever isso.
Não sei se consigo recomendar esse livro. Consigo ver um certo valor nele e mesmo qualidades, mas o tema é nojento demais. Penso que isso aqui serve mais como instrumento pedagógico para assistentes sociais ou profissionais da área do que para meros amantes de uma boa leitura como eu.
Enfim, é isso.

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